Sunday, July 08, 2007

oh...


É como um estranho desejo de dor. Magoarmo-nos a nós próprios. Crucificar a própria alma, como se não fosse amada. Como se não fosse...
É sentir prazer no desespero. É magoar e sorrir. E chorar. E rir feita tolinha. E chorar muito. Sentir as lágrimas correr em nós. Um aperto. Dá vontade de correr para um outro mundo, abraçar o próprio abraço e implorar para que a dor desapareça. Ficar horas intermináveis em silêncio com o nosso ser e confessar segredos de amor.
Mas não dá para parar. Começo e depois procuro mais. Devoro cada palavra sabendo que a seguinte me vai consumir mais um pouco. Devagar. Como se mata quem queremos ver sofrer.
Não sei parar e fico com vontade de mais. Não posso fechar os olhos. Pelo contrário, quero saber, procuro beber cada desabafo teu que não é meu. E dói. Dói demasiado. Não me pertenceres esmaga parte de mim.
E choro com vontade. Choro com dor.
Peço para te ter em mim. Quando te prendo ao meu abraço pelo menos pertences-me. Nem que seja apenas o teu corpo. Bebo do teu corpo enquanto me escasseia o teu amor. Pergunto-me porquê?
Porque não possuo em mim o teu coração? Não amas? Ou não me amas?
Serão falsos os teus (dela) desabafos que me torturam?


E se eu te dissesse? E se eu te perguntasse?
E se mentisses?



- demasiado tempo livre (a evitar estudar chinês) dá nisto...



/eu própria

6 comments:

Petra said...

'Dá vontade de correr para um outro mundo, abraçar o próprio abraço e implorar para que a dor desapareça.' adorei esta parte! (:

Beijinho*

leonoreta said...

ola
sabes...
o amor é estranho. quando dou os nomes, dou os colectivos, os proprios e os comuns. fujo sempre aos abstractos... o mais que posso. mas depois não resisto e mando os miudos escreverem sobre o assunto. e la vem uma panoplia de chavões que ouviram na mae ou na avó.
porque nunca se percebe la muito bem, desde pequeno, que nomes sao esses.
beijinhos da leonoreta

Pedro Lopes said...

tá bonito! :)

continuo a achar estranho escreveres textos assim mas é só a minha opinião =P

aquele beijinho *

Ray said...

O amor é uma tortura em si...
E sofrer por amor, parece que o torna mais forte...

=**

vida de vidro said...

Tu própria dizes. É uma tortura. Mas acho que não conseguimos fugir dessa obsessão torturante. **

Sandrine said...

Tudo se torna num ciclo viciante que mesmo doloroso, é essencial para nós. Somos (seres humanos) mesmo esquezitos =/
Gostei das palavras* beijao