Tuesday, March 06, 2007

Homenagem ao Amor Verdadeiro


Parece que nem existiu. Verdadeiro. Apagado agora.
Nem sei como aconteceu, como se esquece assim...como se finge esquecer (por favor, diz-me que finges, diz-me que te forças a apagar-me da tua vida, diz-me que te obrigaram a tirar-me da tua vida, que não foste tu que desejaste assim).
“Histórias de criança”, quantas vezes ouvimos estas frase? Quantas vezes nos rimos nós dela por sabermos que não era assim. Que não tinha que ser assim.
Promessas. Tantas Promessas. Promessas de amor eterno, amizade sem fim. Promessas de carinho como e onde quer que estivéssemos, separados por não importa quantos milhares de quilómetros, proibidos pelo mundo inteiro. Nem assim. Não chegou, nunca chega.
5 Anos. São 5 Anos de amor. De partilha, especialmente. 5 Anos que agora não parecem sequer ter existido.
Se dói? Não. Não sinto falta. Não custa estar sem ti. Não custa não sentir sequer uma réstia de amor. Não sobrou nada. Apetece-me rir às gargalhadas e desatar num choro profundo logo a seguir.
Às vezes chego a achar que não fui eu que vivi toda aquela história, não posso ter sido eu a passar esses 5 anos ao teu lado e hoje. HOJE. não saber onde estás, é verdade, nem sei onde estás agora.
Se te vir, será que te reconheço?
Sabes o que mais me custa? Saber que estas palavras jamais chegarão até ti. Pergunto-me se te davas ao trabalho de ler. Lembraste quando passavas aquelas tardes de sábado ao meu lado, a pedir-me ao ouvido para escrever para ti? Dizias que eu tinha um jeitinho especial com as palavras. As mesmas que não te interessa ler Hoje.
Não sei porque penso nisto tudo agora, a verdade é que não tenho pensado em ti, em nós...é como te digo, parece que nem aconteceu, que nem existiu. Hoje parece-me irrelevante mencionar o teu nome.
Não recordo mais aquela menina que se vestia de princesa. (a tua)
Não recordo (porque não é importante) as milhares de loucuras, os momentos em que fugiamos de todos para estar aqueles 5 segundos juntos, aqueles em me abraçavas tão mas tão apertado que me fazias desatar a rir. Adoravas ver-me sorrir.
Não recordo as horas que passávamos ao telefone, sentada no chão a contar disparates, ouvia-te cantar, lia para ti, riamos, chorávamos...sempre que nos impediam de estar juntos (como tantas e tantas vezes aconteceu) esse era o nosso refúgio.
Não recordo, e agora está finalmente a doer recordar...Hoje, tenho consciência que as coisas mudam tanto. Que as pessoas se deitam fora como objectos descartáveis. Hoje lamento isso, lamento ser uma dessas pessoas que deixou assim uma história para trás. Não Nuno, não lamento o Amor que ambos não suportámos mais, lamento a nossa amizade, lamento aquilo que pensámos ter criado e onde falhámos por completo.
E ainda agora acho que se pegar no telemóvel e te ligar tu vais atender do outro lado, com a mesma voz, a mesma calma...vais dizer-me que está tudo bem e que também não suportas este teatrinho que mantemos há um ano. Nuno, faz agora um ano. E um ano...é demasiado tempo.
Gostava, onde quer que estejas, que lesses...mas lembro Hoje que não te conheço, que nem o teu número tenho...que não tenho nada que nos ligue. Nada a não ser passar tantas vezes pela tua casa, viver com as tuas coisas à minha volta, coisas que mantenho exactamente nos mesmo sítios, com o mesmo orgulho que me dizias também sentir, orgulho em ter construído algo como o que tivemos. (ainda dói usar o passado).
Podia estar dias a escrever-te...a escrever-nos aqui num papel, deixar em palavras bem fortes o que fomos. Mas sinto que não vale a pena. Sinto que ninguém quer saber, nem mesmo os protagonistas. Ouço agora a mesma música de sempre. A mesma. Leio as mesmas palavras que já estão a perder a cor. E por uns momentos, ainda que muito muito curtos...Parece-me tudo bem.

“Para sempre, porque nada nunca Andreia, mesmo que te digam (porque vão mentir-te) vai apagar-nos. Nada Andreia, nem mesmo este final horrível. Aqui, num outro mundo. És tu”

Quando não sei para onde me virar, quando o meu coração se agita com alguém, era contigo que eu queria falar. Contigo. E não pertences mais a este mundo.



/eu própria

Um vez, calcei uns sapatos de salto alto, estavas do outro lado da linha, era ainda tão miúda. Desfilei com eles uns momentos, a ouvir o som que faziam no mosaico da sala. Imaginava como seria um dia.

5 comments:

Mrs Pink said...

='( porque me dói ler isto... porque é uma dor tão profunda - isso, a que chamamos passado, esses sonhos perdidos, essas promessas desvanecidas... - é horrível termos noção de que nada é eterno... dói quando nos lembramos da felicidade que vivemos e que, de um momento para o outro, desapareceu... caiu... morreu!! nada restou, nem o amor, nem a amizade, nem a lembraça (a não ser nestes momentos em que folheamos o livro que estamos a escrever) ... escreveste o meu medo!! Tenho medo, muito medo de estar a viver um sonho e que um dia ...

o amor verdadeiro... será que já não existe mesmo?? se vais responder não... então não me digas nada!! mas será que ao acreditar nele sou apenas mais uma sonhadora... sonho com algo que nunca vai passar da minha mente?? não vai haver alguém que consiga decifrar e cuidar do mesmo amor com que eu sonho?? dói tanto pensar que somos as/os únicos que acreditamos nisto...

adorei!! embora que me faça reviver a profunda dor (que já la vai) e me faça temer pelo futuro!!

beijinhu **

}}cleopatra{{ said...

Olá!

Li o teu texto e revi-me em tantas coisas!...
Cinco anos, ou quatro que sejam... é tanto tempo!
E no entanto, não restou nada... "Não sobrou nada. Apetece-me rir às gargalhadas e desatar num choro profundo logo a seguir."
Pois é,por vezes, também me apetece rir às gargalhadas, tendo em conta que, e eo contrário de ti, nos cruzamos tantas e tantas vezes... e nem uma única palavra. Parece que nunca nada existiu e que aqueles anos foram como que uma brecha no tempo...
Mas fica como lição de vida, assim, sempre resta alguma coisa!

Gostei imenso de te ler.

Um beijinho soprado

Klatuu o embuçado said...

Pouco... mas ainda há desse.

Sonhador said...

Duvido com muita frequência da existência do amor eterno, mas continuo envolto em sonhos de um dia o encontrar.

Doces sonhos.

Cusco said...

Belo. Escreves, muito, muito bem.
Parabéns!
Fic um beijinho neste dia tão especial.
Até breve
SE DEUS QUISER