Muito se fala sobre o sono dos bebés. Acho que o mito começa ainda antes de engravidar, enquanto solteironas, sem filhos a gozar a vida, já ouvimos ao longe o casal que se queixa ferozmente das péssimas noites que o seu mais que tudo lhe dá constantemente e pensamos, quase aliviadas, "ufa, ainda bem que isto ainda não é comigo!"
assim que divulgamos a notícia de que estamos grávidas aparece de imediato alguém que nos diz "durmam enquanto podem, aproveitem"! e esta frase repete-se ao longo das 40 semanas, cada vez num tom mais preocupante "vai ser muito duro, durmam agora"...e eu tentava dormir, com todas as forças, tinhaq uase pavor do que me esperava, essas míticas noites mal dormidas.
O Guilherme nasceu e ainda na maternidade começaram as noites mal dormidas, as famosas. Ele não pregava olho, mas uma coisa é certa, eu não dormiria nem que ele dormisse que nem um anjo, o nosso estado de alerta altera-se por completo, passamos a estar atentas ao menor ruído imaginário, o nosso filho mexe-se e lá estamos nós em cima do berço, ele faz um som com a boquinha e já o imaginamos a sufocar no próprio vómito, se ele respira mais alto é porque pode estar doente, se não o ouvimos respirar de todo vamos lá ver porque pode não estar bem... tudo em nós muda, passamos a dar conta de qualquer som mínimo... por isso, as noites mal dormidas começam em nós, essa é que é essa!
Há bebés que dormem noites inteiras desde cedo, ouvia sempre as histórias à minha volta, tentava perceber se era eu que fazia algo errado.
O Guilherme mamou sempre de noite até querer. Mamava religiosamente de 2 em 2h até perto dos 3 meses, depois, em momentos de loucura, lá dormia 3 ou 4h seguidas, o que era um milagre! Os primeiros meses foram os mais duros, ele mamava de 2 em 2 mas como sabem, não é apenas dar de mamar, havia toda uma logística, pegar nele, amamentar o que implicava uns 20 ou 30min, depois o pai pegava nele 15min ao alto (sim, porque ele tinha um problema de refluxo e passava o tempo a bolsar imenso e só assim resolvemos a situação), depois mudar a fralda (isto poderia ser antes, dependia do choro de fome) e depois readormece-lo que, quando acontecia e eu me deitava, estava praticamente na hora da próxima mamada. Cheguei muitas vezes a adormecer sentada, a deixar cair a cabeça, a não saber onde ele estava e a acordar sobressaltada "O Gui??!" e o pai, também desorientado, lá dizia que já o tínhamos deitado. Foram 3 meses em piloto automático, sem nunca dormir mais que 2h seguidas, e nunca mais de 5h por noites...foram 3 meses que eu nunca acreditei que superaria.
Nesses meses, muita coisa me passou pela cabeça. A culpa era minha, claro, é sempre da mãe. Comprei livros, li teorias sem fim, mudei os hábitos, mudei a hora do banho, mudei a hora das mamadas, tentei dar dar leite adaptado no fim dele mamar porque pensei que poderia ter fome, como ele dormia em co-sleeping no berço da chicco next2me, tentei afastar mais o berço porque podia ser de estar ali tão perto, tentei trocar de lugar com o marido, acreditem ou não, tentámos dormir todos na sala...tudo o que possam imaginar! o resultado era o mesmo, noites mal dormidas!
Depois começou o mito dos 3 meses "ah isso passa com 3 meses!" mas não passou.
"isso passa quando comer a sopa", mas aos 6 meses não passou.
"isso passa quando já não mamar", mas também não passou.
Há muito que deixei de pensar nisso, aceitei a realidade óbvia de que os bebés não dormem bem, eles não sabem readormecer, eles precisam do contacto dos pais, uns mais que outros. Nunca tentei retirar o leite durante a noite, nunca o afastei do meu colo para ele dormir, nunca o deixei chorar 1minuto quando sei que tudo o que ele quer é colo. Posso estar errada, é um facto, mas acho que já aprendi que tudo passa com o tempo e eu só tenho um bebé (ok, para as mães eles são sempre bebés ao longo da vida) durante um curto período de tempo, porque não aproveitar?
Sem eu ter feito nada para tal, o Guilherme deixou de querer adormecer ao colo. Ele cresceu sem eu dar conta, sem eu forçar. Não consigo conceber que nos desliguemos do nosso filho, o filho que cresce dentro de nós durante 9 meses e que, mal está cá fora, queremos deitá-lo num berço e esperar que ele lá fique 8horas sem nos chatear.
Com 10meses, o banho do Gui é pelas 18h30, depois de brincar uns 30min, dependendo da hora que o conseguimos ir buscar à creche. Depois vestir, secar o cabelo, e já são 19h30...tentamos jantar todos juntos o que acontece a maioria das vezes, mas se não der mesmo também não fico a sentir-me hiper culpada por isso, dou o jantar dele e pronto. Depois tratar dele, lavar dentes, mãos e boca, e tento perceber como ele está, isso é importante. ver se ele está cansado ou não. Vamos para o quarto, deito-o na nossa cama, lemos uma história, depois ligamos as estrelas (aquele da chicco que projecta estrelas no tecto) e ele vai brincando, rolando, dá-nos as mãos e acaba por adormecer, ali coladinho a nós. Quando me apetece lá o coloco na caminha dele e normalmente fica até às 3h ou 4h da manhã, nos dias bons, nos outros, vai chorando porque perde a chucha, porque tem tosse, ou sabe-se lá o quê.
Quando ele desperta mesmo, levamo-lo para a nossa cama e lá fica até às 7h, hora em que bebe o leite e fica mais um pouco.
Isto não é rotina, é o habitual mas se fugir disto nos fds não nos afligimos!
Tem noites más? Muitas mesmo. Em 10 meses nunca dormiu uma noite completa sem chamar a meio.
Custa? Sim, tem dias que sim, mas cabe-nos arranjar formas de lidar, nos dias piores fazemos turnos por exemplo.
O mais importante é que desde que o levamos para a nossa cama, desde que nos deixámos de tretas e filosofias e teorias das mães dos outros, que a nossa vida melhorou e muito. Acabamos por dormir melhor os 3 e ponto final.
Nunca fomos capazes de o meter na nossa cama antes dos 7/8 meses, por questões de segurança. Mas não vejo mal nenhum em quem o faz, acho que não há nada melhor do que o bebé poder dormir junto à mãe. Autonomia? Tem tempo! Um dia vão querer que ele seja menos indepenente e corra para o vosso colo, aproveitem agora!