Friday, October 26, 2012


Emprestaste-me um livro, eu fiz dele a nossa história, já que a nossa nunca existiu. Transformei-nos nas personagens e reli, vezes sem conta, os nossos diálogos, como se fossem palavras nossas. Por momentos, a nossa história existiu, não era necessariamente a mais bonita das histórias de amor, mas isso não importa. Era uma história. Podia ficar acordada a relembrar-nos.
Depois disto, escrevi-te. Escrevi tanto, até me doer a mão e a alma. Escrevi-te mais do que as palavras do próprio livro. Escrevi-te para que talvez me amasses ao ler-me. Pensei que podias amar, talvez, a personagem que ali te descrevia.
Mas nunca existiu amor, nem uma história para contar. Há pessoas assim. Há caminhos que não se cruzam nunca. 

Monday, October 15, 2012

arrependimento, um dia

estou sempre a pensar que um dia ainda vou lamentar todas as vezes que não te liguei. vou lamentar as impaciências, as birras, as respostas tortas. um dia vou ter tantas saudades tuas que vou arrepender-me de todos os minutos que não passei mais perto de ti. de todas as vezes que preferi estar com os amigos ou com o namorado, com jogos, computadores ou filmes.
vais sempre cheirar a pão acabado de fazer, a ovos-mexidos com azeite, filhós acabadas de fritar, a miniaturas de perfume que eram às dezenas no teu quarto, a laca para o cabelo, a terra molhada e a erva do jardim. nas lembranças não ficarão os olhares enfurecidos ou os desvarios que te caracterizam. ficarão as palavras doces, as lágrimas de despedida, os croquetes com batatas-fritas, os lanches para todos os amigos, as brincadeiras incansáveis, os carinhos, as preocupações verdadeiras. de ti ficarão as histórias, as aventuras, as chantagens por amor, as músicas da igreja.
fica tanto de ti. e eu dou-te tão pouco agora.
não é esquecimento.
será arrependimento um dia, eu sei que sim.. é mesmo assim.

Bday things














Um bocadinho do jantar do P. Parabéns amor, este mês é realmente um mês em grande para ti (e para mim claro).

O jantar foi delicioso, pensámos no tema italiano, com um maravilhoso pão de alho seguido de 3 pizzas como aquela que vêem nas fotos, de sabores variados. Muita champanhada, vinho e champanhe à mistura... chouriça assada (hmm, será que é italiano?) e este fantástico bolo feito pela minha amiga Andreia (http://squezzart.blogspot.pt/) com o tema Angry Birds (o meu namorado é extremamente Geek sim =P)



Friday, October 12, 2012

Friday, September 21, 2012

Há dias...que não são dias


Com alegria fico louca
E acaso te beijei um dia
Foi um beijo que me escapou da boca
E andou a noite toda a fazer o que eu não queria
Agora danço arrependida
Um passo em frente dois atrás
E quanto mais me rodopias
Menos culpo a alegria da tristeza que me faz
Não te quero dar mais esperança
E a alegria não é tanta
E há dias que não são dias
Mas se tu danças comigo
E aos meus passos dás sentido
Não me alegras
Mas conquistas
Com alegria digo coisas
Que nem em sonhos te diria
Nem a ferros nem por sombras
Ouvirias certas coisas que eu te disse outro dia
E agora danço arrependida
Que eu já nem sei dançar contente
E quanto mais me rodopias
Menos culpo à alegria
Um passo atrás e dois à frente
Não te quero dar mais esperança
E a alegria não é tanta
E há dias que não são dias
Mas se tu danças comigo
E aos meus passos dás sentido
Não me alegras
Mas conquistas
Mas se tu danças comigo
E aos meus passos dás sentido
Não me alegras
Mas conquistas

Deolinda

Wednesday, August 29, 2012

Fim de Férias


regresso ao trabalho, à rotina.

Para trás, ficam três semanas perfeitas, junto das pessoas mais importantes. Finalmente, depois de quase três anos de trabalho, consegui "desligar" e aproveitar o saborzinho do quase esquecido "dolce fare niente".

Tuesday, July 31, 2012

Faltam 3 dias...

de trabalho, muito trabalho! E eu que achava que infantilidades e complexos mal curados existiam só até à universidade? Sei lá...estamos a trabalhar amigos, que tal uma atitude mais adulta?


estou esgotada...a precisar de férias!



http://sequin.tumblr.com/post/16280543543 

Thursday, July 26, 2012

Um exemplo a todos os níveis... tantos blogs por aí que teriam mais utilidade se seguissem o exemplo

"Tens um mano na tua barriga?"

"Tens um mano na tua barriga?" - entrou de rompante pelo meu quarto. A mãe, internada no quarto ao lado, tentou demove-la. " Não incomodes a senhora! Anda cá!". Mas ela continuava a olhar para mim, de pé, à beira da minha cama de hospital. Olhos azuis, cabelo louro, 4 anos de gente. Também tens um mano na barriga?"- insistia. Pego-a ao colo para se sentar aos pés da cama, leve que nem uma pluma. "Cuidado com o meu cateter!". A mãe, pálida e com ar gasto, grávida do mesmo tempo gestacional que eu, a contar-me da leucemia da filha, dos tratamentos de quimioterapia, da gravidez que pode ser uma esperança de vida, de mais vida ainda, o verdadeiro milagre da vida, para a filha que já vive. Das possibilidades de compatibilidade do novo bebé, que entretanto ganha pouco peso no útero, fruto do sistema nervoso da mãe que, internada, não acompanha pela primeira vez, em dois anos e meio, o ciclo de químio da filha. "Tens um Bobi?"- fita-me, a pequena, de olhos pregados no suporte com rodas que me eleva o soro. E a mãe sorri, gasta e cansada, velha no pico dos seus 26 anos, a aguardar um milagre que são dois, agora. O bebé só tem um rim mas não lhe importa. A doença da filha ensinou-a a racionalizar a realidade. "Vive-se só com um rim, eu quero é que ele nasça bem, mesmo que não seja compatível,. Quero- os aos dois, bem! Percebe-me, não é?" Percebo tão bem. E a menina canta- me aos pés. Elevo-a no elevador da cama, fica alta no cimo do colchão elevado. "Vou tocar no sol!"- e não parece doente, enquanto escorrega pelas minhas pernas, se ri às gargalhadas e folheia um livro que me ofereceu uma leitora deste blog. A mãe a insistir que me deixe sossegada, sorriso exausto. Está desempregada, " ninguém dá trabalho a uma mulher que tem que faltar uma semana por mês para acompanhar a filha na quimioterapia". E, agora, internada. O marido teve que meter baixa para a substituir- "o dinheiro da baixa não vem logo no mês em que gozamos a baixa, este mês nao sei como irá ser". A filha, tagarela, dá gargalhadas e, por um momento, o sorriso abre-se, alheio aos problemas. Acaricia a barriga, como que a regar o crescimento do bebé que aí vem. Falamos dos bebés que esperamos. Chega mámen para a visita, senta a menina ao colo, faz-lhe desenhos a pedido. A mãe elogia o jeito dele para desenhar. Mostro- lhe a fotografia da parede do quarto da Ana, pintada por ele. A menina pergunta se ele lhe pode desenhar uma Kitty na parede. Sorrimos os dois, cúmplices. Hoje toleramos a Kitty. Sim, irá pintá-lá, logo que a mãe regresse a casa. A menina salta de alegria. Chega o jantar, a mãe e a menina recolhem ao seu quarto, não sem antes a pequena insistir: "Tens um mano na barriga?". Lembro- me das discussões que temos tido acerca da preservação de células estaminais. Banco Público ou empresa privada? Se colocarmos no Banco Publico e aparecer alguém que precise, a nossa filha fica sem as suas células disponíveis. No Privado as células serão sempre guardadas para ela. E a menina ali ao lado, a precisar de um transplante de medula. Não pode haver egoísmo na humanidade. Nem umbiguismo. Se a nossa filha fosse compatível, não hesitaríamos um segundo, sabemo-lo com o olhar, as palavras não são precisas. E, finalmente, respondo "Sim, tenho uma (m)Ana na barriga!". Porque todos os bebés deveriam ser irmãos da menina. A minha sê-lo-á.

Thursday, July 05, 2012

Ontem foi...

dia de sentar no sofá, assistir a 2 episódios de Girls (leia-se ver 5minutos e dormir 15). Uma série sem glamour...os amantes de Gossip Girl ou Sex and the City é melhor nem verem...



... e devorar umas bolachinhas homemade de aveia e framboesa.





P.S. - Alguém sabe uma receita para obter uma boa dose de motivação para tolerar Julho? Estou a trabalhar e a sonhar com as férias de Agosto...

Wednesday, July 04, 2012

Coisas que outros dizem e que vale a pena ler.



Não me venham com merdas que a moda pode ser muito gira e a beleza um regalo para os olhos mas a verdade é que já enjoa. Enjoa ver meninas magrinhas e bronzeadas de pernas à mostra e lábios e unhas pintadas com as últimas cores da estação, mulheres siliconadas nas praias a mostrar o físico impecável ao qual se dedicam 7 dias por semana, os bronzeados perfeitos, as roupas mais in (isto ainda se diz?) sejam giras ou trapos medonhos o que importa é que apareçam nas revistas de preferência nos corpinhos anoréticos das celebridades, os brunchs e os posts no facebook mais as festas na praia e as idas aos festivais que mais parecem desfiles. Mulheres que se acham o máximo e capazes de papar qualquer gajo que lhes passe à frente, mulheres que têm medo de se expor, de sair de casa despenteadas, de serem apanhadas a fazer caretas, que se preocupam mais com o que os outros vão pensar do que com o que vai dentro das próprias cabeças. Poder não é um par de mamas de silicone nem unhas pintadas com verniz de gel. Poder não é um corpo perfeito num anúncio de televisão. Poder não é levar o chefe para a cama. Poder mesmo, daquele que nos permite tomar decisões, não vem com calções mini nem decotes até ao umbigo. Ter orgulho em ser mulher, saber ser mulher não é ir ao cabeleireiro uma vez por semana, pôr extensões só porque sim, dar risadinhas de prazer quando um homem faz um piropo imbecil ou usar as calças alapadas ao cú como dizia a Katyzinha, equilibradas em saltos vertiginosos para ir ao supermercado. Não têm de ser trambolhos vestidos com T-shirts quatro números acima mas caramba quem gasta tanto tempo a pensar no que vestir e como conjugar os 345 acessórios, maquilhar-se, andar bamboleante, ter um cabelo sem defeitos e um olhar lânguido não pode ter espaço para outras coisas. Para perceber que os homens continuam a mandar e a tomar todas as decisões. E não, não chega sermos nós a mandar lá em casa porque o mundo é bem maior e nós até estamos em maior número. O que eu gostava de saber é onde é que andam essas mulheres que estudam, as inteligentes, as que pensam e lêem e discutem, as que estão em maioria nas universidades. Se somos mais do que eles, e se até vivemos mais anos, porra, porque é que continuamos a ser Tatchers nas raras vezes em que conseguimos chegar lá a cima, masculinizadas à força para sermos respeitadas e ouvidas? Ou se mostra as mamas ou se veste calças. Não há meio termo, caraças? Quando é que a merda dos anúncios da televisão vão deixar de ter gajas boas mesmo que estejam a vender relógios? Quando é que as mulheres vão poder fazer programas de humor que não sejam empurrados para a programação das madrugadas em que está toda a gente a dormir? Quando é que as mulheres vão deixar de ser medidas pelo rabo e pelas mamas e pelo palmo de cara? E até quando é que as mulheres vão deixar que isso aconteça? Já não posso com a playboy e das outras todas, vestidas ou despidas, é tudo uma merda, parece um talho com as carnes à venda. Toda a gente gosta de se sentir desejada mas foda-se há vida para além da lingerie e dos olhares masculinos. Cambada de atrasadas mentais, pá. E um livrinho que não venha da secção esotérica ou de auto-ajuda, não?

Wednesday, June 27, 2012

Wednesday, June 13, 2012

13.06.1888 — 30.11.1935



Se penso mais que um momento

Se penso mais que um momento
Na vida que eis a passar,
Sou para o meu pensamento
Um cadáver a esperar.

Dentro em breve (poucos anos
É quanto vive quem vive),
Eu, anseios e enganos,
Eu, quanto tive ou não tive,

Deixarei de ser visível
Na terra onde dá o Sol,
E, ou desfeito e insensível,
Ou ébrio de outro arrebol,

Terei perdido, suponho,
O contacto quente e humano
Com a terra, com o sonho,
Com mês a mês e ano a ano.

Por mais que o Sol doire a face
Dos dias, o espaço mudo
Lambra-nos que isso é disfarce
E que é a noite que é tudo.

                Fernando Pessoa

Tuesday, June 12, 2012

Ai...ai...



Lá no fundo, o que me deixa louca são homens inteligentes.

o resto...

Thursday, May 31, 2012




Ainda ontem eras apenas uns grandes olhos com um cabelo enorme e escuro. Tanto cabelo, num rosto tão pequenino. Talvez eu tenha conversado demasiado contigo, tu preferes hoje permanecer calada e escutar atentamente os outros. A tua diversão era ouvir-me reproduzir os sons das bonecas e inventar um enredo. Todos acham que aprendeste tudo comigo mas não é verdade. Tu aprendes com o mundo. Observas o que quase ninguém vê, enquanto as pessoas te olham sem verem quase nada de ti, achando mesmo assim que te conhecem. Esse teu lado fugidio e selvagem, de quem pertence ao mundo, traz a vontade de te ter apertado mais enquanto ali estavas, te ter observado melhor, escutado melhor. Não tenho filhos, ainda. Não sei o que se sente. És a única imagem da saudade. Da certeza que não te volto a ver tão pequenina, aninhada ao meu lado, sempre de ar tão frágil, mas tão independente e rebelde ao mesmo tempo. Achei que nunca conseguiria estar longe de ti. Quando me armava em forte e mudava de quarto, acabava sempre por ir dormir ao teu lado.
Agora é tudo demasiado fugaz. É inegável o apertozinho cá dentro quando me envolvo em lembranças. Mas o orgulho fala mais alto e deixa-me deixar-te viver.
Parabéns.

Thursday, May 17, 2012

Cannes 2012


Adoro o cartaz deste ano...não fosse a Marlyn. Nem assim se livraram das críticas por falta de realizadoras femininas no festival. Eu cá acho que a Lyabbe Ramsey representou lindamente as mulheres, no festival do ano passado, com o espectacular filme We need to talk about Kevin.


Fica aqui a lista de seleccionados:


Thursday, May 03, 2012

Projecto Amelie

Adoro a ideia, podem ver alguma informação no site Galeria Portuguesa, que para além desta, tem muitas outras informações interessantes.




É só imprimir os autocolantes e espalhá-los por aí!