
Não sei se te hei-de dizer, é preciso mesmo explicar tudinho?
Não há paciência!
/eu própria
Parece que nem existiu. Verdadeiro. Apagado agora.
Nem sei como aconteceu, como se esquece assim...como se finge esquecer (por favor, diz-me que finges, diz-me que te forças a apagar-me da tua vida, diz-me que te obrigaram a tirar-me da tua vida, que não foste tu que desejaste assim).
“Histórias de criança”, quantas vezes ouvimos estas frase? Quantas vezes nos rimos nós dela por sabermos que não era assim. Que não tinha que ser assim.
Promessas. Tantas Promessas. Promessas de amor eterno, amizade sem fim. Promessas de carinho como e onde quer que estivéssemos, separados por não importa quantos milhares de quilómetros, proibidos pelo mundo inteiro. Nem assim. Não chegou, nunca chega.
5 Anos. São 5 Anos de amor. De partilha, especialmente. 5 Anos que agora não parecem sequer ter existido.
Se dói? Não. Não sinto falta. Não custa estar sem ti. Não custa não sentir sequer uma réstia de amor. Não sobrou nada. Apetece-me rir às gargalhadas e desatar num choro profundo logo a seguir.
Às vezes chego a achar que não fui eu que vivi toda aquela história, não posso ter sido eu a passar esses 5 anos ao teu lado e hoje. HOJE. não saber onde estás, é verdade, nem sei onde estás agora.
Se te vir, será que te reconheço?
Sabes o que mais me custa? Saber que estas palavras jamais chegarão até ti. Pergunto-me se te davas ao trabalho de ler. Lembraste quando passavas aquelas tardes de sábado ao meu lado, a pedir-me ao ouvido para escrever para ti? Dizias que eu tinha um jeitinho especial com as palavras. As mesmas que não te interessa ler Hoje.
Não sei porque penso nisto tudo agora, a verdade é que não tenho pensado em ti, em nós...é como te digo, parece que nem aconteceu, que nem existiu. Hoje parece-me irrelevante mencionar o teu nome.
Não recordo mais aquela menina que se vestia de princesa. (a tua)
Não recordo (porque não é importante) as milhares de loucuras, os momentos em que fugiamos de todos para estar aqueles 5 segundos juntos, aqueles em me abraçavas tão mas tão apertado que me fazias desatar a rir. Adoravas ver-me sorrir.
Não recordo as horas que passávamos ao telefone, sentada no chão a contar disparates, ouvia-te cantar, lia para ti, riamos, chorávamos...sempre que nos impediam de estar juntos (como tantas e tantas vezes aconteceu) esse era o nosso refúgio.
Não recordo, e agora está finalmente a doer recordar...Hoje, tenho consciência que as coisas mudam tanto. Que as pessoas se deitam fora como objectos descartáveis. Hoje lamento isso, lamento ser uma dessas pessoas que deixou assim uma história para trás. Não Nuno, não lamento o Amor que ambos não suportámos mais, lamento a nossa amizade, lamento aquilo que pensámos ter criado e onde falhámos por completo.
E ainda agora acho que se pegar no telemóvel e te ligar tu vais atender do outro lado, com a mesma voz, a mesma calma...vais dizer-me que está tudo bem e que também não suportas este teatrinho que mantemos há um ano. Nuno, faz agora um ano. E um ano...é demasiado tempo.
Gostava, onde quer que estejas, que lesses...mas lembro Hoje que não te conheço, que nem o teu número tenho...que não tenho nada que nos ligue. Nada a não ser passar tantas vezes pela tua casa, viver com as tuas coisas à minha volta, coisas que mantenho exactamente nos mesmo sítios, com o mesmo orgulho que me dizias também sentir, orgulho em ter construído algo como o que tivemos. (ainda dói usar o passado).
Podia estar dias a escrever-te...a escrever-nos aqui num papel, deixar em palavras bem fortes o que fomos. Mas sinto que não vale a pena. Sinto que ninguém quer saber, nem mesmo os protagonistas. Ouço agora a mesma música de sempre. A mesma. Leio as mesmas palavras que já estão a perder a cor. E por uns momentos, ainda que muito muito curtos...Parece-me tudo bem.
“Para sempre, porque nada nunca Andreia, mesmo que te digam (porque vão mentir-te) vai apagar-nos. Nada Andreia, nem mesmo este final horrível. Aqui, num outro mundo. És tu”
Quando não sei para onde me virar, quando o meu coração se agita com alguém, era contigo que eu queria falar. Contigo. E não pertences mais a este mundo.
/eu própria
Um vez, calcei uns sapatos de salto alto, estavas do outro lado da linha, era ainda tão miúda. Desfilei com eles uns momentos, a ouvir o som que faziam no mosaico da sala. Imaginava como seria um dia.


“Nem naquele dia, nem no outro. Todos os dias assim como que mortos, como que atirados para um canto, já sem vida.
Mas não, a respiração. Essa mostrava que ainda havia um pouco de esperança. Um resto de essência. Um traço de coragem escorraçado mas resistente. A respiração.
Ali a um canto, apenas quando encostava o meu ouvido se sentia um bafo quente ainda que me congelasse por dentro. Sempre tive medo. Medo de te tentar arrancar dali, pegar no teu corpo meio abandonado, meio vazio e levar-te. Trazer-te comigo para a realidade.
Toquei-te de leve. Toquei-te como se não fosses real. O meu dedo a tremer até chegar a ti, pavor. Mandaste um salto assim que me sentiste, ou talvez nem tenha sido isso. Talvez tenhas somente despertado.
Olhaste-me profundamente. Olhos molhados, escuros, frios... Mas, um olhar de súplica. Como quem pede ajuda. Estendeste-me a mão húmida.”
Desperto do pesadelo e fico a pensar em ti. Acordada. A tremer.
E só me apetece correr para ti.
Fazem-me tantas perguntas que já deixei de saber responder-lhes.
Quero dizer-te só a ti e és o único que não pergunta...
Amor, faz-me uma pergunta a mim.
Pára de fingir. Já estou cansada. Pára de querer esconder. Já chega.
Fada ou borboleta...o que eu queria mesmo era voar e fazer magia.
/eu própria

Só me beijas antes...beijo-te eu durante. Nunca me beijaste no fim. Não me beijas quando me deixas esgotada em cima da cama. Abraço-te forte. Peço-te ao ouvido para não fugires. Finges abraçar-me também.
Fecho os olhos e relembro. Arrepio-me à imagem perversa na minha cabeça. Imagino ver-nos de fora.
“Diz-me o que sentes?”
“Não posso explicar...”
“Quero saber como é para ti...”
Não sei em que penso depois, nunca sei. Quero lembrar-me mas é impossível. Começo a acreditar que é essa a parte em que eu liberto o meu corpo, deixo-o lá a viver o momento. Deixo-o no prazer enquanto eu me escondo de vergonha. Deixo o meu corpo como oferta e fico a descansar a consciência. Pudor.
Odeio movimentos bruscos.
Quando te deixo a sós com o meu corpo nem quero saber o que fazes com ele.
Escuto apenas...
“Foi a mais intensa”
Abraço-te.
Já sorriste comigo alguma vez?
Sim, já. Sei a tua expressão. Conheço todos os teus movimentos. Não sei se já te disse que, às vezes, fazes uma voz diferentes nessas noites em segredo. Sempre achei curioso.
“Faz amor comigo”
Só agora percebo a diferença... Puro sexo!
E esse, não se respeita!
/eu própria

Se fosse possível mudar, apagar as coisas.
Não gosto quando a minha vida se desenvolve sem eu interferir...sou mera espectadora que aceita as consequências sem reclamar.
Olham-me de lado, dizem que não me conhecem.
“Vai a correr muito e bate as asas...vais ver que voas”
Eu juro que corri, saltei com todas as minhas forças, mas não voei, pelo menos eu não me apercebi disso.
Talvez tenha voado uns segundos mas não sorri...doeu tanto a queda.
Quando acordo e tenho que fechar os olhos com muita força para fingir que não me lembro, perco anos de vida. Aperto a almofada e peço mais uma oportunidade à vida.
Só mais uma...
A espalhar magia por aí =)
/eu própria

Feliz Dia dos Namorados.
Corrida às lojas. Ursos. Ursos gigantes com camisolas estranhas em que podemos ler em letras enormes e vermelhas “I LOVE YOU”. Almofadas pirosas em forma de coração. Corações, milhares deles em todo o lado! SALVEM-ME!!!
Mas que dia vem a ser este? Desde quando se passou a pagar o amor?
- “olhe, se faz favor, são 200g de amor”
- “36,45€ (IVA incluído)”
O amor compra-se. O amor mede-se, não podemos amar demais (parece mal). O amor é andar na rua no dia dos namorados, mãos dadas, algodão doce e um arzinho bem lamechas e “apaixonado”. Atenção, é só o arzinho!
Se tivermos namorado e nesse dia não o formos exibir à rua ouvi dizer que até se paga multa, é verdade!
Sempre que chega o dia 14 de Fevereiro custa-me acreditar que tenham criado mais um dia comercial (o Natal já uma pessoa se habituou), mas dia dos namorados?? Porquê nesse dia? Porque não ser quando “esses namorados” quiserem? Claro que não podia ser todos os dias porque é preciso andar, no mínimo, um bom par de meses a poupar para comprar a melhor prenda possível.
Depois, como se não bastasse, parece que toda a gente decide vestir um trapito qualquer VERMELHO, é um comportamento estranho que até hoje nunca percebi...que mundo este!
Já não basta um sorriso, um beijo na boca (daqueles banais sim, daqueles que damos todos dias ao nosso namorado, daqueles pequeninos, ingénuos, sentidos!), já não parece suficiente um “gosto tanto de ti” ao acordar ao lado dessa pessoa, já não chega um abraço apertado daqueles que nos fazem doer o corpo todo.
Já não chega amar alguém. É preciso pagar esse amor, e muito bem pago!
Sim, também já ofereci e recebi muitas dessas prendinhas características deste dia, mas serviu-me de lição! Já cometi o erro de ir jantar fora nesse dia, chegar ao restaurante e perceber que TODA A GENTE está a fazer o mesmo que nós. Chega a ser deprimente...chega a ser ridículo.
O amor passa assim a ridículo também.
O amor passa a ser o Dia dos Namorados.
O amor desaparece ali, assassinado pelo consumismo do dia mais banal que existe.
Gosto da única forma que tenho para gostar, da única forma que sei gostar de ti!
/eu própria


Já alguém experimentou ficar em completo silêncio, mesmo quando rodeada de uma multidão?
Deixar que alguém fale para nós, deixar que faça perguntas que ecoam em nós mas que não fazem sentido absolutamente nenhum.
Quando isso me acontece eu faço aquele ar assim interrogativo e experimento não dizer nada.
É interessante como a cara dessa pessoa muda na hora e no fim de uns minutos de insistência acaba por me mandar um valente empurrão e perguntar se estou viva.
“Então, estás viva?”
Sorrio e digo calmamente...
-Mais do que nunca!
/eu própria

Temos que ser superiores aos outros, temos que ser frios, maus, insensíveis. Temos que ser indiferentes, não convém dar demasiada importância, não é? Aparece sempre alguém com um sorrisinho que não quer dizer nada e nos explica (como se verdade absoluta) que não vale a pena. É mais fixe não se dar valor a nada!
Temos que ser rudes, impessoais e grosseiros. Dizer as coisas por dizer, fazer...só porque sim, porque apetece na hora, que se fodam as malditas consequências!
Temos que fingir que está sempre tudo bem, convém ser-se despreocupado. Está na moda.
Temos que ser livres, dizer a toda a gente que fazemos o que nos apetece. Mas é mesmo fazer questão de numa conversa banal dizer “sabes, eu faço o que quero!”. Devemos mostrar que confiamos em nós acima de tudo, nada nos deita a baixo, quero lá saber que dizem que sou gorda ou mal educada!!
Temos que ser egoístas, não devemos ligar a nada do que nos dizem, para quê perder tempo a ouvir os conselhos de alguém?
Temos que que andar de nariz no ar quando passamos na rua, fingir que o mundo à nossa volta não interessa para nada.
Jamais dar parte fraca, jamais admitir que sentimos falta de alguém. Sou imune a isso tudo! Não sinto. Desliguei um botãozinho que todos temos escondido, agora não sinto, sou a maior!
Temos que ser assim vazios, quando não somos olham-nos de lado, chamam-nos “tristes” e fazem-nos sentir muito pequeninos do outro lado. Quase, quase que nos fazem mesmo sentir culpados por sentir, por momentos chegamos a pensar que deveríamos ser mesmo assim esses seres estúpidos. Vazios.
Mas não...
Se calhar não sou eu que estou errada.
Que mal há em sentir?
Só interesso eu. Egoísmo Puro.
/eu própria

Gostava que de repente fosse possível entrar no corpo de alguém, sentir as coisas de outra maneira. Estou farta de sentir as coisas da mesma forma...talvez experimentar outras, sentir como outros sentem, será que muda assim muito?
Não sei como as outras pessoas vêem o mundo, sei lá se as cores são as mesmas, se variam os perfumes, diferem os gostos. Não sei se sentem as coisas com a mesma emoção, não sei se sentem o frio ou o calor como eu, se têm medo das mesmas coisas, se fazem as mesmas questões a si próprios, se pensam no mesmo que eu. Não sei se acordam sempre com frio, se gostam das mesmas músicas, se ambicionam as mesmas coisas. Não sei se resolvem os problemas da mesma forma, não sei sequer se os problemas serão os mesmos. Talvez ninguém se preocupe com coisas tão pequenas.
Eu preocupo.
Desde pequena que adoro observar as pessoas, às vezes fico a olhar para alguém imenso tempo, depois fico a imaginar como será a sua vida, para onde vai, quais os seus medos e dúvidas, fico a pensar se está feliz, se é quem sempre quis ser. Toda a gente quer ser alguma coisa. Toda a gente sabe sonhar, disso eu tenho a certeza.
Decoro pequenas coisas nas pessoas que me rodeiam, gosto de conseguir prever reacções, gosto de saber o que posso ou não dizer...Divirto-me nesses jogos, tenho que confessar! As pessoas são estranhas...cada um de nós vive no seu mundinho isolado, vê as coisas à sua maneira, estabelecemos relações uns com os outros, achamos que essa pessoa com quem nos estamos a relacionar nos percebe mas de um dia para o outro...puff!! isso muda radicalmente e passamos a nem poder ver essa mesma pessoa à nossa frente, acho isso estranho... Não devia ser assim.
Era tão simples se pudéssemos pôr o nosso corpo a descansar sobre uma prateleira, deixá-lo lá arrumado juntamente com as outras coisas que não interessam e deixar o resto andar por aí, viver aos bocadinhos nas mentes de outras pessoas como nós, aprender mais sobre a vida mas com partes do nosso ser desligadas. Era tão mais simples.
Vou tentar deixar o meu corpo arrumado no armário hoje, e vou voar por aí...vou tentar entrar em ti, perceber o que sentes.
Prometo que não vai doer...

Há uns dias li por aí uma frase deste género: “Se estás a tentar conseguir algo mas não és capaz, desiste e dedica-te a outra coisa”.
Desistir: Renunciar a alguma coisa.
Renunciar: Recusar aquilo a que se tem direito.
Enfim, não vamos estar com mais definições porque Recusar significa Rejeitar e posteriormente Rejeitar é um sinónimo e entramos num ciclo vicioso. Não há nada pior que ciclos de vida. Não gosto de coisas repetitivas.
Pronto, já chega. Vamos voltar ao raciocínio anterior, achei essa frase tão mas tão despropositada que não podia deixar de dar a minha opinião. Não há nada mais estúpido que desistir. Não há nada que limite mais as hipóteses do que dar a vitória às dificuldades, sim...porque o que é fácil geralmente não traz qualquer realização pessoal. Depois há uma questão a ter em conta. Haverão coisas impossíveis? Haverá alguma coisa que nos dispomos a tentar mas que no fim se prova ser completamente impossível? Será que o esforço compensa sempre? Será que damos 100% de nós?
Alguma vez deram tudo por alguma coisa que no fim falhou por completo?
Também não sei até que ponto é gratificante passar metade da vida a lutar, a tentar desenfreadamente alcançar alguma coisa. O ser humano é estranho, quando por fim chega ao que tanto procurou, abre as mãos e abandona deliberadamente o seu feito, deixa-o partir como se afinal não fosse assim tão importante tê-lo. São essas as (pequenas) coisas que talvez nunca vá perceber na Vida.
Está cientificamente provado que todos temos capacidades e aptidões diferentes, a nossa mente desenvolve-se individualmente e nessa evolução interagem diferentes factores que muitas vezes nos são totalmente alheios, impassíveis de serem alterados. É uma lei. Eu não gosto de leis nem de regras, sigo-as às vezes...lá tem que ser! Mas esta levanta muitas dúvidas, parece-me injusto nascermos já com um código genético que vai impingir um percurso de vida dependente das nossas capacidades cognitivas.
Eu posso ser quem eu quero, fazer o que quiser, alcaçar qualquer coisa.
Sei que é mentira, sabem-no também.
Então, que fazer? Sujeitamo-nos a ser o que um código genético qualquer nos permite? Ou lutamos sem nunca desistir?
Todos uns heróis por aí...era como deveria ser, um mundo de super-heróis com poderes sobre-naturais...
Nem assim, talvez nem assim...
Listening to: Frou Frou “Holding Out for a Hero”
/eu própria


Transparentes! Por favor mostrem-se um bocadinho transparentes uma vez na vossa vida...sejam vocês mesmos. Gritem. Digam que não e que sim logo a seguir, afinal de contas onde está o mal de não estar certo? Afinal de contas quem disse que havia mesmo algo certo? Mas o que é que significa “estar certo”?
Vivam mais. Aliás, vivam uma vez...uma só uma vez, Vivam...experimentem, vão ver que até sabe bem!
Vida: “metafisicamente, a vida é um processo constante de relacionamentos”
Não se relacionem. Não comuniquem. Não façam, simplesmente. Uma vez, tranparentes.
Hoje acordei cedo, apeteceu-me! Odeio saltar logo da cama, dá aquela sensação que o mundo acaba ali. Mas saltei. Olhei para a janela, definitivamente gosto de Aveiro nos Domingos, é o unico dia em que reparo na paisagem que se apresenta à frente do 3º Dto Frente. Curioso, ainda não me tinha apercebido da quantidade de árvores que posso ver da minha janela.
Gosto de viver, hoje apeteceu-me viver mais um dia. Já há muito tempo que não o fazia. Hoje não falei com nínguem praticamente, não me apeteceu! Hoje não fui mais ninguem para além de ser eu mesma! Já agora, obrigado por terem vindo, estar com vocês lembra-me mais ainda o significado de vida.
Hoje não vi nada de especial...
Passeei por Aveiro, sem frio...sem calor...andei por aí num vazio confortável.
Pensei em coisas que já não pensava há muito tempo, lembrei-me de tudo o que fui deixando de fazer ao longo do tempo. Coisas que me definiam. Penso, ainda, na razão que leva a que isso aconteça, não sei! Pensei em como as coisas se alteram, em como tudo isto é um processo rápido que ocorre sem que ninguem pareça preocupar-se muito. As Pessoas não vivem! As Pessoas movem-se por aí. As pessoas fazem coisas que é suposto fazerem não aquilo que realmente querem. As Pessoas não se percebem umas às outras, não amam, não se preocupam com nada realmente importante. As Pessoas não prestam atenção a promenores. No fundo, as Pessoas são processos imperfeitos.
Acho curioso uma das definições de Pessoa ser “máscara”. As Pessoas andam por aí com máscaras, vivem assim...fingindo que vivem, como num teatro!
Hoje fui “meia-pessoa”, hoje não me apeteceu ser uma Pessoa. Hoje vivi um bocadinho mais...
Hoje percebo menos as coisas. Hoje não rio porque é bonito, aliás...quem me garante que rir transmite felicidade, alegria, satisfação?
Não sei quem são estes corpos mascarados que fazem gestos e soletram sons que não percebo. Hoje não fui uma Pessoa completa, hoje não vi Pessoas...vi apenas corpos, vi o quão marionetas somos ao vaguear por aí. Vi mascarados às compras em edíficios grandes com muitas lojas, vi mascarados comer pipocas, rir sem motivo aparente, vi personagens de teatro a correr, a comer ovos moles, a pedir coisas...vi muitos mascarados por aí a peder tempo enquanto eu estava ali. A viver aquele bocadinho a mais.
Quero pedir desculpa a mim própria, por não viver mais, por usar aquela máscara tantos dias seguidos.
Hoje não sei porque não acontece tudo como eu quero se eu estou a fazer exactamente o que me apetece. Penso no que me disseste...percebo agora e sorrio, porque não há mal nenhum nisso!
O tempo não existe, mentalizem-se...!
Vivam à vontade, isso pode nunca ter um fim. Sei lá, basta não pensar muito nisso.
Afinal, “o mundo não acaba aqui, o caminho é para a frente e és tu que o escreves”. =)
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Mais uma vez...
Dás-te(me) mais uma vez,
Não sorris hoje. Vais embora.
Abraço-te amanhã, Desculpa mas não consigo agora.
Cheiros...esses guardam-se melhor que as lembranças tuas.
Guarda-me assim.
E amanhã eu estou cá de novo, prometo.
Mas e tu?
Foste hoje embora...
Por favor,
Volta depressa...
“ pena quase não poder ficar.És quente quando a luz te traz.Quase te vi amor.Quase nasci sem ti.