Saturday, October 07, 2006

I´m not myself


"I'm a slow motion accident.Lost in coffee rings and fingerprints.I don't wanna feel anything but I do.And it all comes back to you"



estou sentada sobre coisa nenhuma...
o céu está completamente tapado por nuvens o que torna o meu mundo ainda mais melancólico.
podia escolher estar sentada do teu lado mas sei quando a minha presença te começa a cansar...
sei mais do que pensas,
conheco-te melhor do que achas,
e nao quero conhecer melhor...
estás escondido atrás de nunvens como as que vejo neste momento,
não sei se devo ir em tua busca ou
se devo deixar o céu como está...
não sei se me foi dado o poder de mudar o decorrer normal das coisas...

mas se isso se tornasse possível...queria-te do mesmo lado do mundo que eu!


" Just pick up
I know you're there

Can't you hear?
I'm not myself
Oh, go ahead and lie to me
You could say anything
Small talk will be just fine
Your voice is everything
We owe to life
And it all depends on you"


foto cedida por
http://www.fotolog.com/piriliiim

/eu propria

Tuesday, October 03, 2006

I refuse to believe


- Espera...
- Vá lá, despacha-te!
- Deixa-me só ver-te mais uma vez...
- Não me observes assim.
- O que me fazes se te disser que sim, que quero que fiques comigo? Apetece-me dizer-te que me fazes apaixonar por ti.

- Veste-te,

estás atrasada... tens uma longa viagem pela frente...


(foto tirada por um dos meus fotógrafos favoritos ^^ http://eyereflections.blogspot.com )

/eu propria

Monday, October 02, 2006

Tenho medo...


Eu olho para ti...tu nem te apercebes sequer.
Apesar de ser à tua existência que eu devo a minha, acho-te frágil, desprotegida…
De tantas as vezes que me pegaste ao colo, acho que agora me habituei a ter o teu corpo junto do meu, e desta vez, quero ser eu o teu refúgio, quero ser o teu “banco de jardim” ,onde te sentas para reflectir e recuperar as forças…
Olhamos juntas para o caminho que tens que percorrer, quero percorre-lo a teu lado, sofrer cada minuto contigo, quero amparar-te as quedas maiores, cessar as tuas lágrimas fazendo-as confundir com as minhas, quero que no final apareçam as nossas pegadas lado a lado.
Sei cada pedaço teu, sei o teu cheiro melhor que o meu, sei cada expressão ou gesto que tu fazes, sei a cor dos teus olhos, sei o sabor do teu corpo, sei os teus medos, os teus pontos fortes, as tuas teimosias, as tuas vivências.
Sei como gostas de fazer a tua cama, sei as palavras que dizes quando te irrito, sei porque choras…
Sei a que horas te deitas e sei que detestas que te acordem, sei a tua comida favorita, sei que adoras dormir no sofá até tarde, sei os teus sonhos mais íntimos, sei as tuas fraquezas, conheço o teu valor, a tua determinação.
Sei o que te faz rir, sei quando não gostas de alguém, sei que queres conhecer todos os meus passos, sei quando viras a cara para não te ver chorar quando te despedes de mim, sei o esforço que fazes para me proteger… Sei que és orgulhosa e sei que sabes que sou igualzinha a ti, sei a tua música favorita, sei a tua maior perda, sei onde preferias viver, sei o teu perfume, sei a tua cor favorita…
Sei que me amas
Sei que também estás com medo
Sei que tenho medo de te perder…


Amo-te acima da minha vida, porque sem a tua por perto eu não vou saber o que significa estar aqui…

/eu propria

Wednesday, September 27, 2006

Onde estás?


Gosto de ti assim...ou mesmo que não seja dessa forma, gosto de ti hoje e amanha.
Gosto de ti porque sim e ai de quem diga que é porque não.
Gosto de ti descalço ou em meias, de beicinho ou de sorriso rasgado.
Gosto de ti nas horas vagas e eternamente.
Gosto de ti a acordar e a adormecer, distraído, pensativo, orgulhoso, furioso, confuso, persistente ou negativo.
Gosto de ti com a chuva e gosto de te ver transpirar de calor.
Gosto de ti de lado, quando andas ou quando paras para te sentar.
Gosto de quando me beijas devagar, apressado, fortemente ou quase sem me tocar…
Gosto de ti por inteiro, gosto de cada pedaço de ti…
Gosto
de ti porque me contrarias, porque me apoias, porque me dizes que sim e que não, porque sabes quem eu sou e gostas assim.
Gosto de ti porque sabes o que queres ser e não és ninguém.
Gosto de ti de pernas para o ar se for preciso.
Gosto de ti na minha cama, longe ou perto de mim, nu ou vestido.
Gosto de ti quando me abraças, quando passas a mão no meu cabelo, quando me agarras, apertas…sufocas.

Gosto de ti quando me acordas a meio da noite com palavras sem nexo, gosto que chames por mim, grites por mim, desesperes por mim…
Gosto de ti quando me mimas, quando me tratas menos bem.
Gosto de ti quando me empurras e puxas logo de seguida.
Gosto de ti quando me olhas à descarada.
Gosto de ti, tanto, que ás vezes nem sei se odeio…


(também queria gostar assim de ti, mas não existes…não apareces)

Onde estás?


/eu propria

Monday, September 25, 2006

É tarde demais

Entraste pela porta do meu quarto à hora que eu te marquei.
(não me lembro de ter dito para vires…)
Nem sequer bateste à porta, aliás, entraste como se o meu quarto fosse também o teu espaço, como se lhe pertencesses, como se te tivesse sido atribuído o poder de invadires o meu mundo sem autorização.
Olhaste para mim, mas não aquele olhar que eu gosto. Olhaste uma vez, uma vez tão rápida que nem sei se realmente foi a mim que os teus olhos viram. Nem sei sequer se era a mim que desejavas ver.
Disseste uma palavra, uma só palavra e foi “adeus”, sim eu sei que não emitiste qualquer som, sei que apenas moveste os lábios mas eu percebi que a tua entrada ali não seria para durar.
Atravessaste o espaço que nos separava lentamente, como se medisses a distancia e percebesses que era demasiada para alguma vez podermos estar juntos. Aproximaste-te de mim e falaste tão perto da minha boca que os meus lábios tremeram…sabes tão bem como me provocar! Estavas a sussurrar para a minha boca e não para mim, querias beijar-me mas és demasiado orgulhoso para isso, querias que fosse eu a faze-lo em tua vez.
Mesmo de luzes apagadas eu sabia a tua expressão, assim apreensiva como tu tantas vezes fazes…sabes o que se passa? Estás confuso…sim, confuso!
Não cedi mais à tentação e deixei que a tua boca devorasse a minha, como sempre, demasiado intensamente (o meu corpo gela com o teu beijo guloso). Apressado que tu és, as tuas mãos desceram para o meu corpo antes que eu pudesse pedir-te que o fizesses, invades-me sempre!
Não te quero, mas tu nunca me deixas dizer-te o que quero.
Adoras mostrar-me que sou indefesa, adoras ver-me a teu prazer, a servir-te apenas. Adoras perceber que não te resisto, adoras ver-me sofrer com a minha inconsciência, adoras ouvir a minha respiração descontrolada, adoras o meu sabor na tua língua e adoras cada milímetro dos meus lábios. Adoras repetir o meu nome, adoras conhecer o meu corpo, adoras quando não contenho os gemidos e adoras que te aperte contra mim. Adoras desprezar-me, adoras descobrir o meu ponto fraco, adoras ignorar-me, adoras saber que te adoro ainda mais…
Mais uma vez me tornas completamente tua, pertenço-te e recordo novamente o “adeus” que me dizes sempre que entras no meu quarto. Já não posso fazer nada, como sempre é
tarde demais.

Vais embora mal o sol invade o espaço da lua (tal como tu invades o meu). A lua desaparece e leva-te com ela.
Sais sem uma palavra mostrando que mandas em mim…


É tarde demais para aprender

/eu propria

Friday, September 22, 2006

Gostas de mim?


*mal-me-quer
*bem-me-quer
*mal-me-quer
*bem-me-quer
*mal-me-quer
*bem-me-quer

estou cansada de ti
cansada de arrancar as folhas do malmequer e a resposta ser sempre a mesma
(quero ouvir-te dizer que gostas de mim...)


(foto cedida por
http://www.fotolog.com/piriliiim )

/eu propria

Happiness...more or less

Sunday, September 17, 2006

Cheguei ao mar



tapas-me os olhos e susurras qualquer coisa
tocas-me no cabelo, beijas-me levemente a face
(tremo por dentro)
dizes que me vais contar a nossa historia e eu sorrio
mas lembro-me que nao temos historia ainda, nao sei quem és mas isso parece nem interessar,
nao sei se é por palavras que me a contas mas eu sinto cada pedaço dela em mim...
sei agora que estamos juntos, que me entendes, mimas, conheces, queres
sei que nos pertencemos a um sempre por nos criado nessa mesma hora
sei que esperamos por aquele momento mesmo sem ter visto o teu rosto real
perco-me horas assim contigo, ja nem sei se sonhei!




contigo ali a tapar os meus olhos
a tua boca a ler suspiros desajeitados e precoces
eu sou feliz....



finalmente cheguei ao mar



/eu propria

Monday, September 11, 2006

Desafio (sobre mim...)


Este post vem responder a um desafio lançado pelo Paulito [http://taskinhadasletras.blogspot.com]
as fotos foram tiradas, algumas por mim, outras por uma grande amiga [http://www.fotolog.com/piriliiim] que fez tambem o tratamento das mesmas...


é quase impossivel resumir-me a seis palavras, mas fica um pedaço de mim




1-Apaixonada

por ti, pela vida, por mim...
apesar do medo
sim, muito apaixonada
2-Persistente
-nao podes
-mas eu quero tanto
3-Orgulhosa

é dificil reconhecer que se está errada
é dificil dar o braço a torçer
é dificil admitir que alguem faz melhor que nós
orgulho é um elogio a nós proprios
mas um defeito quando se transforma vaidade


4-Divertida

rir feita tolinha...sorrir

5- Inconstante

como o mar nao sei bem qual o rumo a tomar uns dias calma outros destrutiva...

6- Preguiçosa

as vezes sabe tão bem deixar as coisas para depois...

(estou ocupada)

Não vou deixar este desafio a ninguem em particular, mas seria engraçado que voces o fizessem. Experimentem, aprende-se algumas coisas sobre nós proprios...

/eu propria

Friday, September 08, 2006

Mudança de Blog

esta subita mudança deveu-se a um erro no meu anterior blog que nao consegui corrigir, infelizmente tive de o abandonar e recriar este novo espaço.
espero, em breve, recuperar todos os blogs que ja me tinham visitado
...



/eu propria

Espelhos Partidos

-o espelho está partido, já viste? exactamente no sitio onde lhe tocámos no outro dia...
-nao vejo nada
-mas está, as vezes gostava que pela primeira vez pudesses ver com os mesmos olhos que eu
-sabes bem que os teus olhos já foram os meus, que já brilharam juntos com a mesma intensidade
-mas agora o espelho está partido e nada o vai trazer de volta

-és a unica que o ve assim, eu acho que ele nao está partido
-para mim está, sei que nunca mais vou conseguir passar por ele e ver-me claramente, sem sentir que ele parte a minha imagem ao meio,e que me marca ,relembrando para sempre o que lhe aconteceu
-ficas triste?
-muito, estava habituada a ver-me nele todos os dias. passava por ele e ficava horas a ver o meu reflexo, gostava do que via...adorava o jeitinho especial com que ele me desenhava os contornos, a forma como ele me desejava
-achas que vais conseguir outro espelho?
-ja passei por alguns
-e entao?
-nada, nao vejo nada. nao me vejo reflectida neles, olho para lá...sei que me querem, mas eu nao apareço

-o que fiz eu ao espelho para ele se partir assim? eu achava que ele nunca se iria perder, pensei que podia estar ali uns dias e desaparecer nos outros
-ele morre de ciumes que te olhes noutros espelhos
-achas que nao podes ficar com este?
-nao quero, o espelho esta partido e nao sei o que fazer com ele

(és o espelho onde me vejo todos os dias, estas partido...e nao sei o que fazer contigo)

/eu propria

Nuvens de Açucar


- porque é que as nuvens nao sao todas feitas de açucar?
- o que estas a dizer?
- as nuvens...deviam ser todas doces...
- cala-te, nao ha nuvens doces
- tu nunca me ouves, eu sei que me achas louca
- nao acho
- sei que pensas que eu nao percebo as coisas, que vivo no
meu mundo
- cada um tem o seu mundo, tu és diferente...so isso!
- eu vejo mais queres tu dizer, eu sei aquilo que tu te recusas a ver, eu sinto o que a maioria das pessoas como tu nao querem sentir. sei que as nuvens as vezes sao feitas de algodão doce e tambem sei que agora olho para o ceu e vejo nuvens normais
- nuvens normais? nao consigo imaginar o que será uma nuvem fora do normal
- agora sao todas brancas, alguns farrapos pelo céu sem importancia e que fazem com que as pessoas deixem de reparar nelas, percebes?
- nao
- porque sera que nao ves? preciso de fugir deste espaço onde nada do que eu digo faz sentido, sinto-me com forças, a adrenalina corre nas minhas veias e estou a arder de ideias e ambiçoes
- entao utiliza essa tua energia em alguma coisa produtiva
- tenho tanta pena que aquilo que eu te digo nao faça qualquer sentido na tua cabeça, obrigas-me a deixar-te
- nao digas disparates, tu estas bem comigo, estas habituada a isso. é uma comodidade para ambos
- eu vou procurar as minhas nuvens de algodão doce porque eu tenho a certeza de as ter visto um dia. quero correr por aí, deixar de ser mais uma pessoa para ser eu mesma, deixar de acreditar no tempo e andar livremente, sem pressas... sem ninguem que nao oiça o mesmo que eu, que nao dançe ao som das mesmas historias, que nao beba as palavras e os cheiros com a mesma intensidade
- estas cada vez mais louca

- estou louca sim, mas uma louca que começa agora a ser feliz...

/eu propria

Inicio do Fim

porque agora nada é como antes, posso mostrar o que é passado porque o tempo deixou de existir para mim...ja nao te sinto, ja nao fazes sentido...
iniciei a caminhada até ao mar


Deito-me na minha cama de barriga para cima, não sei o que quero, tenho aquele aperto no meu peito que desconheço a proveniência...olha a janela, chove lá fora e a única imagem que tenho é o teu rosto desfocado...Os meus olhos fecham lentamente e entro numa espécie de transe, não sei se durmo mas vagueio de repente por outro mundo…sinto o meu corpo levitar e subitamente já não controlo o meu pensamento que recai inevitavelmente sobre ti.Sinto o teu toque agora mais pesado que nunca, ouço a tua voz apesar de não perceber as tuas palavras, no entanto, sorrio timidamente…sei que estas aqui.Abraço-te e tu pegas na minha mão, queres levar-me e eu não sei bem para onde…deixo-me conduzir por ti…o tempo parece agora não ter existência, realidade e sonho confundem-se e não tenho nenhuma certeza a não ser que quero estar ali contigo, já não tenho medo porque a tua mão segura firmemente a minha. Caminhamos assim durante momentos que me parecem eternos, nada à minha volta me é familiar e sei que tu também não conheces os caminhos por onde me levas…sei que também não queres conhecer (o desconhecido agrada-te).Não suporto mais ter os olhos abertos, estão pesados e acabo por fechá-los…tu não hesitas e tocas os meus lábios com os teus…como é bom beijar-te, por segundos anseio permanecer assim para sempre mas sei que terá um fim breve, puxas-me para ti e deitas-me sobre algo que me é impossível definir, não vejo onde estamos e a única coisa que me interessa és tu. Passeias o meu corpo suavemente, os gemidos são difíceis de conter, fazes-me feliz e não quero parar…hesito novamente mas tu sussurras ao meu ouvido palavras que não percebo e isso basta-me…Entrego-me a ti, não sei o que está a acontecer mas sei que nada poderá voltar atrás…tão suave como uma gota de água sinto o meu corpo humedecer…para te acolher no seu interior, também ele ter quer…Passam-se momentos que mais parecem intermináveis e desespero agora…tu permaneces com a mesma calma…olhas profundamente nos meus olhos e dizes sem palavras tudo o que eu precisava ouvir…estamos mergulhados em suor que queima os nossos corpos, és meu como nunca antes ninguém fora, perdes a calma agora…suspiras também...a nossa respiração acelera já nada mete medo… o mundo cala-se à nossa volta para que tudo possa ser perfeito…trouxeste o céu até mim, imploras-te à lua para ser só nossa nessa noite…não queres que nada estrague o nosso momento.Sentimos uma explosão de sentimentos e aperto-te a mim…deixo a minha marca em ti e sei que ficaste em mim para sempre…Tornas a minha boca tua…envolves-me nos teus braços e adormeces assim, esgotado de paixão…já não posso mais estar ali e sei disso, contra a minha vontade os meus olhos tendem a abrir-se…por fim estou acordada na minha cama, a chuva ainda escorre nos vidros da minha janela, a vida afinal continua…o aperto desapareceu do meu peito porque agora sei…Tu existes…estás comigo, és meu… levanto-me com o meu melhor sorriso e sei que te amo…

(adeus)


/eu propria

Caminhar de mãos dadas (mas nao desta vez)

ela estava encostada a uma rocha, tentava a todo o custo encostar-se o mais possivel...nao queria que os seus pés ficassem ao sol, descalsa como estava certamente iria queimar-se (nao estaria ja queimada?)...
parecia entretida sem nunca retirar os olhos do chão numa incansavel luta para fugir ao sol que teimava em ganhar,em espaço, à sombra.ele ja estava a observa-la ha algum tempo, sabia muito bem que ela nao se queria queimar, ela tinha-o avisado que a ultima coisa que lhe poderia acontecer era queimar-se com o sol...mas ele nem sempre o tinha evitado...preparava-se agora para a enfrentar
.tambem ele descalso, caminhou pela areia e quando se aproximou ela fingiu nem o ver, continuava ocupada na sua tarefa (fugir de ti)...ele chamou-a e estendeu-lhe a mao, aí ela levantou os olhos vazios...sem o brilho habitual e isso chocou-o um pouco...fez sinal para que ela lhe desse a mão e fizesse o mesmo caminho com ele, mas nao desta vez.quantas tinham sido as vezes que ela aceitara caminhar de maõs dadas com ele...quantas as vezes que confiara naquelas mãos que a apertavam, que lhe davam segurança e lhe mostravam caminhos aliciantes que a tornavam estranhamente feliz...quantas (talvez tantas que nao posso conta-las sequer), mas nao desta vez.
era sempre irresistivel ver aquela mão chamar por ela, aquele olhar que ela ja conhecia...sorrisinho traiçoeiro de quem mente por prazer, mas ela gostava dele assim...mas nao desta vez.estava cansada, sufocada de tanta dor e desilusão, sabia que aquela mão que se lhe estendia à frente apenas a levaria para mais um caminho com um unico fim, o sofrimento.sabia que aquela mão a levaria a pisar a areia quente, e aí sim...o sol queimaria mais uma vez, entao todo o esforço dela junto à rocha seria em vão...nao, nao podia ceder à tentação de mais uma vez caminhar com ele (lutei tanto para te esquecer).
baixou a cabeça mostrando-lhe que nao queria, que desta vez nao iria com ele por aqueles caminhos desconhecidos...nao e nao, nao queria...nao podia, era a prova que era forte (tu és forte, tu consegues...[têm-me dito]).entao o rapaz, sem sequer uma hesitação, desistiu (desistes tao facilmente).
virou as costas, ela olhou ligeiramente para ele...sabia que mais cedo ou mais tarde o sol lhe iria queimar os pés, mas nao se importava agora! chorou, mas desta vez com a noção que era o fim...que estava livre, pura...sabia o quanto lhe custaria esperar que o sol desaparecesse para entao caminhar em segurança, sem se queimar na areia...tambem sabia que isso era quase impossivel, acabamos sempre por queimar os pés com o sol, toda a gente sabe isso!mas ela ja nao queria saber...iria esperar o tempo que fosse preciso ate deixar de avistar o rapaz, nesse momento irá levantar-se e fazer o caminho sozinha, sabe que o sol vai queimar, que os pés vão doer, mas acredita tambem que o mar estará no final dessa caminhada para a acolher...e aí nada a irá perturbar, a areia deixa de queimar.


(ainda nao iniciei a minha caminhada ate ao mar porque ainda te consigo ver...mas sei que cada vez mais longe...afasta-te)


/eu propria

Abre a Janela

olho nua para o espelho partido, sinto que alguém me agarra, sinto os dedos sujos de uma mão
apertados contra os meus lábios impedindo-me de gritar, sinto o corpo preso, seguro a uma
força invisível. escuro...frio...começo a sufocar e posso ver no espelho as lágrimas escorrerem
apesar de não as sentir.toda eu estou imune, suja,perdida,lançada a um destino que não quis...


desespero...


subitamente consigo soltar-me desse ser que me aprisiona, gritar "ESTOU FARTA" e correr, correr muito para lado nenhum, correr para fugir apenas de uma pessoa: de mim!
a cada passo sinto-me mais afastada de ti, desse corpo em que habito. arranco os ponteiros gigantes daquele relógio sem horas que eu e tu construímos, acabo de vez com o tempo impossível que criámos, paro de fingir que "está tudo bem", que a vida é esse sol laranja...dispo a minha pele, com nojo dela...daquilo em que me tornei, corro mais e mais, nao encontro um único caminho, a minha vida de repente fica um deserto solitário no qual não me é permitido
mudar de rumo. deixo-me cair cansada, ainda mais perdida...choro até não suportar mais. talvez o muro posso ser destruído, quem sabe se as fitinhas com cheiro a baunilha ainda existem...e eu possa novamente sorrir.
despe tu também essa pele, deixa-te ser quem és...senta-te no muro comigo, ajuda-me a destruí-lo. pedir-te isto a ti que habitas dentro de mim não deve ser pedir muito...


ja abriste a janela hoje?

/eu própria

Felicidade


“Ninguém deve perguntar-se isso: porque estou infeliz? Esta pergunta traz em si o vírus da destruição de tudo. Se o perguntarmos, vamos querer descobrir o que nos faz felizes. Se o que nos faz felizes é diferente daquilo que estamos a viver, ou mudamos de uma vez ou ficamos mais infelizes ainda.”Zahir, Paulo Coelho


fiz essa pergunta vezes e vezes sem conta...por vezes altero para "porque sou feliz?" mas o resultado é o mesmo...um vazio inexplicável, como se certas perguntas simplesmente não devessem ser feitas, como se determinadas respostas não pudessem existir...como se a felicidade fosse na verdade um tabu do nosso
século...sou feliz...infeliz...não sei e talvez já nem queira vir a saber, talvez prefira esta ignorância...porque
os ignorantes são sempre os mais felizes, porque são esses os únicos a possuir um sorriso sincero, livre de
qualquer preconceito ou juízo...queria viver na criança que em tempos habitei, aquela que desconhecendo a
injustiça ficava feliz apenas com o baloiço do fundo da rua, aquela criança que vivia do rebuçado da vizinha da avó,que brincava aos "tachinhos" no jardim e comia um gelado no fim da tarde. porque me roubaste tu a
inocência? porque me puxaste por uma mão e, à força, me fizeste ver o mundo, conhecer aquilo que devia ser
proibido?...o amor que não existe, que me retiraste cruelmente? porquê? não me canso de pensar em
ti...revejo mil vezes a nossa historia, o teu sorriso, o teu olhar...revejo cada passo, cada hesitação, cada
certeza e incerteza e não percebo onde errei. odeio-te para te amar mais ainda...e vivo assim e piora cada dia porque te espelhas em cada olhar meu...és feliz?



/eu propria...