É como um estranho desejo de dor. Magoarmo-nos a nós próprios. Crucificar a própria alma, como se não fosse amada. Como se não fosse...
É sentir prazer no desespero. É magoar e sorrir. E chorar. E rir feita tolinha. E chorar muito. Sentir as lágrimas correr em nós. Um aperto. Dá vontade de correr para um outro mundo, abraçar o próprio abraço e implorar para que a dor desapareça. Ficar horas intermináveis em silêncio com o nosso ser e confessar segredos de amor.
Mas não dá para parar. Começo e depois procuro mais. Devoro cada palavra sabendo que a seguinte me vai consumir mais um pouco. Devagar. Como se mata quem queremos ver sofrer.
Não sei parar e fico com vontade de mais. Não posso fechar os olhos. Pelo contrário, quero saber, procuro beber cada desabafo teu que não é meu. E dói. Dói demasiado. Não me pertenceres esmaga parte de mim.
E choro com vontade. Choro com dor.
Peço para te ter em mim. Quando te prendo ao meu abraço pelo menos pertences-me. Nem que seja apenas o teu corpo. Bebo do teu corpo enquanto me escasseia o teu amor. Pergunto-me porquê?
Porque não possuo em mim o teu coração? Não amas? Ou não me amas?
Serão falsos os teus (dela) desabafos que me torturam?
E se eu te dissesse? E se eu te perguntasse?
E se mentisses?
- demasiado tempo livre (a evitar estudar chinês) dá nisto...
/eu própria