Friday, April 27, 2007

what time is it?


Deitamo-nos sobre o soalho de madeira velha, húmida, cansada de histórias e pecados. Falamos em silêncio, um silêncio confortável que nos relembra aos dois o que é estar vivos. Eu deixo de saber em que penso. Peço tanto para deixar de sentir, para deixar de sentir o aperto que me esmaga a cada minuto. Sinto apenas que estás ali comigo pelo som fraco da tua respiração. Por segundos pergunto-me em que pensas tu.Mas isso não interessa, o meu objectivo é adormecer a alma, desligá-la da carne para sempre. Preciso de ti ao meu lado, mesmo em silêncio. Preciso para que me lembres que é por ti que o faço. Para te conseguir olhar como antes, para te olhar sem sentimentos.Fecho os olhos com força, imploro para que o aperto no peito desapareça (há quem lhe chame amor, eu prefiro assim.) quero tanto descansar, dormir sem a tua imagem desta vez. Tu permaneces ali deitado. Tranquilo. Mais uma vez não te resisto e olho-te ternamente. O teu rosto está sereno. Queria mesmo saber em que pensas. Volto a concentrar-me em mim, esforço-me por fingir que não existes. É aqui que o tempo pára. [Parada no tempo]. Não sei se são horas ou apenas uns segundos mas deixo-me levar. Vagueio por aí, livre. Deixo-te de parte. Deixo de te sentir em mim, na minha pela. No meu olhar. Acordo e o que sinto não é alívio mas sim um medo intenso de te ter perdido para sempre. Percebo finalmente que não posso não te ter. Não quero desistir de te ter, de te trazer comigo. Viro o mundo de pernas para o ar se for preciso. Vou entender-te. Vou decorar-te. Saber tudo o que te contorna. Vou falar o teu dialecto até que as minhas palavras te soem a verdades e não apenas a palavras. Vou guardar-te em mim, dentro de mim. Levanto-me e sorrio desta vez. Agora sei.




[Give yourself a chance to breathe
I'll give you the room you need

No place in you for me
And me, I need you so]


/eu própria

where is it?


How many times do I have to learn?

Quase sorria com as tuas palavras, desculpa se não fui capaz...
Talvez seja mesmo uma mentira. A que eu criei.
Não te aproximou...
Não volto a acreditar. Desta vez prometo a mim própria.


/eu própria

Thursday, April 19, 2007

Closed


FECHADO PARA OBRAS




eu e o blog...
até que me apeteça!



(obrigada a todos os que por aqui passam, estarei de volta brevemente...espero eu!)




Wednesday, April 18, 2007

Tudo se pode esconder



Gosto de ti, entre uma mentira e outra.
Minto sim. Escondo-me de ti, não te falo...não te digo, não te posso dizer. Não queres ouvir, percebes? Não me deixas dizer-te...
Gosto de ti. Não preciso de meses para o fazer (como tu).
Não preciso de um motivo (o motivo és só tu).
Não preciso de me contorcer de dores para o mostrar, não preciso exibir que o meu mundo sem ti não me entusiasma, precisamos entusiasmo para viver, para sair da cama todos os dias e enfrentar o que nos espera (tu não tens, eu quero tê-lo, para ti)
É preciso ser amor o que sinto?
Não sei se é então...
Mentiria mais se te dissesse que sim...porque eu não sei essa resposta. Porque eu também me recuso a dizer que amo, porque é cedo, sabes? É sempre cedo quando a palavra amor nos surge no coração. Se a dissesse, acharias ridículo. Não me aches ridícula, não te rias assim das minhas confissões fieis.
Se é amor? Diz-me tu. Diz se eu pensar em ti todos os dias, se achar que me fazes sombra de tanto que te sinto perto, diz se isto é amar. Talvez não. Se eu te sentir a respiração quente no meu pescoço, arrepiar-me à tua passagem despercebida, se eu dormir contigo dentro do meu abraço (tu nunca me tocas),
protegido pela noite...diz-me se é amor.
Diz se é amor o que sinto, antes que eu prefira ficar doida.
Gosto de ti, numa mentira que criei para não te perder. Para não saíres de perto de mim.
Onde te quero cada vez mais.


Já prefiro conhecer-te.
Vou perguntar-te.
A tua resposta vai magoar-me... e eu,
(não vou suportar a tua perda)
Vou sorrir.

Mas diz.



/eu própria


Sunday, April 15, 2007

Imaginação


- Nem que te perdesse agora. Não percebes que não importa isso, não têm relevância as palavras soltas que possas dizer. Quando me ofendes sem que o percebas. Consegues, ao menos, ver isso?
- Repara, não podes perder o que nunca tiveste. E tu ainda não me tiveste. Não fomos um Nós, ainda nem somos um Eu e Tu. Somos um nada que não se assume. Somos dois corpos sem rumo. Sem Ser. Essência. Acho que é o que nos falta, uma Essência. Uma coisa que depois chamaríamos de Nossa. E aí sim. Aí perderias, aí sim essas tuas palavras fariam algum sentido. Percebes?
- Perco sim. Eu tenho-te ainda que não o saibas. És parte de mim e sabes como eu sei isso?
Sei porque revejo-te nas minhas coisas. Como podes dizer que não te possuo se estás dentro do meu olhar? Sabes o que é olhar outros rostos e ver o teu? Sabes o que é trazer o teu nome comigo? Em qualquer sítio, em todos os meus momentos. Estás TU. Por isso sim, eu tenho-te. Não como um objecto que podemos chamar de nosso. Não, não é isso. Tenho-te em mim. Parte de mim. Continuação da minha pele. Partilha da minha respiração, fraca por não te apoiares em mim totalmente. Estás comigo.
- Não tens. Não sou teu, não digas assim... Não dificultes as coisas. Não me tornes no que eu não sou. No que não podemos ser.
Sabes o que me preocupa? Que penses mesmo que podemos ser alguém. Um só. Como podes pensar que seremos felizes...
Eu não esqueço, não posso simplesmente. Tu sabes que sim. Que também te trago comigo, não és minha, mas eu trago-te em mim.
- Então porquê tornares tudo numa coisa impossível? Odeio coisas que se intitulam impossíveis.
Porque não podemos deixar-nos de teatro? Não suporto mais esta vontade. Este desejo que tenho que esconder como se fosse proibido gostar.
Não quero nem posso continuar a olhar-te sem te abraçar, a medir cada gesto que fazes, a doer-me por dentro quando me tocas. A ignorar que me viras a cara para evitar que sintas o mesmo que te descrevo assim, sem pudor.
- Não posso.
- Então é assim?
Queres que finja que não...é essa a tua palavra final. Ditas uma sentença aos dois, como se tivesses esse poder.
Queres que eu te apague de mim, que te retire à força do meu corpo. Que deixe de pensar em ti a todas as horas. Faço da tua vida minha, improviso diálogos que nunca iremos ter, conto-te o meu dia para que assim te sintas mais nele, para que percebas o quanto lhe pertences.
Não vês nos meus olhos a importância que tens? Não te vês reflectido neles? Não te assusta olhares-me e veres o teu próprio rosto. Fraco!
És um fraco.
- Sempre te disse quem era. Sempre te disse que não sou quem queres que eu seja, sou assim, destinado a ficar sozinho.
- Não vou sentir pena de ti, desculpa. Hoje, não consegues.
Desistes sem tentar. Sou eu que te trago, tu apenas aceitas o que o destino de dá, sem recusas ou amuos.
Não posso gostar de um fraco. Não posso querer comigo uma pessoa que não aceita que é especial. Tu não imaginas o quanto.
Desenho a nossa vida no pensamento, não sei se isto te acontece também, já vi que não. Eu imagino-te do meu lado. E sabes a verdade? Nesses meus sonhos estamos sempre a sorrir.
Pelos vistos, tu achas que merecemos apenas sofrer. Que devemos permanecer assim para sempre, não merecemos amar.
- Merecemos sim. Mais que ninguém. Eu conheço-te bem, talvez demasiado bem.
- Repetes o mesmo, insistes em rever o meu passado, passo por passo. Tornas esse meu episódio no mais importante. No único.
Desculpa, não posso apagá-lo. Não posso fingir que não aconteceu, que não te obriguei a assistir a cada passo. Também tu o fizeste, também tu me descreveste os teus sentimentos. Eu também os sei, também te conheço.
Ao contrário de ti, só te adoro mais ainda. Só protejo ainda mais a imagem desfocada do teu beijo.
- Desculpa.
Nem todos somos fortes.
Nem todos conseguimos aceitar ser felizes. Às vezes, o medo é maior.



Vai ser assim.
Vou gritar-te estas palavras.



/eu própria

Thursday, April 12, 2007

Escondida


Ouço um ruído insuportável. Este ruído tortura. Desfaz-me aos poucos. Calmamente.
Contorço-me de dores. Arrepio-me ao som penetrante dessas vozes. São vozes esse ruído.
Passeio-me por aí envolta em dialectos que não percebo mas que me atormentam. Estão a consumir-me devagarinho, deliciando-se com o prazer desmedido que isso lhes provoca. Vozes cruéis. Vozes numa língua que eu não entendo. Não me foi concedido esse poder.
Apenas as consigo calar por instantes que me parecem inexistentes, de tanta falta que me fazem.
Tornam-me vulnerável. Despida de quaisquer protecções.

Eu acho que sei como as calar mas tenho medo.
Escondo-me.
Torno-me transparente por estes lados.

[Where do the voices come from?]


- Andamos cá com um feitiozinho...


/eu própria

Saturday, April 07, 2007

People are calling me crazy


Olho para o lado. Sorrio. Faço cara de marota. Penso em ti.
Dou uma trinca na bolacha de maçã que já quase tinha esquecido ter na mão. Distraio-me por uns segundos.
Aninho-me nos lençóis. "Só mais um bocadinho", penso.
Relembro o sonho que tive contigo (mais uma vez).
Ouço uma voz chamar "Despacha-te, sai da cama".
Tapo a cabeça como por instinto. Não me apetece.
Fecho os olhos e o sorriso permanece.


Hoje é um dia bom, estou rodeada de pessoas.
Faltas tu, mas isso não parece ser um problema, vejo-te nos outros rostos.


Sexto: P

[I´ve got people underneath my bed]


/eu própria

Monday, April 02, 2007

This love


This love
Doesn´t have to feel love

Doesn´t care to be love

It doesn´t mean a thing


This love

This love loves love

It´s a strange love,
strange love







I think I´m gonna fall again



Quinto: E