
“Nem naquele dia, nem no outro. Todos os dias assim como que mortos, como que atirados para um canto, já sem vida.
Mas não, a respiração. Essa mostrava que ainda havia um pouco de esperança. Um resto de essência. Um traço de coragem escorraçado mas resistente. A respiração.
Ali a um canto, apenas quando encostava o meu ouvido se sentia um bafo quente ainda que me congelasse por dentro. Sempre tive medo. Medo de te tentar arrancar dali, pegar no teu corpo meio abandonado, meio vazio e levar-te. Trazer-te comigo para a realidade.
Toquei-te de leve. Toquei-te como se não fosses real. O meu dedo a tremer até chegar a ti, pavor. Mandaste um salto assim que me sentiste, ou talvez nem tenha sido isso. Talvez tenhas somente despertado.
Olhaste-me profundamente. Olhos molhados, escuros, frios... Mas, um olhar de súplica. Como quem pede ajuda. Estendeste-me a mão húmida.”
Desperto do pesadelo e fico a pensar em ti. Acordada. A tremer.
E só me apetece correr para ti.
Fazem-me tantas perguntas que já deixei de saber responder-lhes.
Quero dizer-te só a ti e és o único que não pergunta...
Amor, faz-me uma pergunta a mim.
Pára de fingir. Já estou cansada. Pára de querer esconder. Já chega.
Fada ou borboleta...o que eu queria mesmo era voar e fazer magia.
/eu própria









